O Método Bazin


Nas últimas semanas compartilhamos textos de outros autores. Nesse por exemplo Tiago Reis faz um resumo simples e dinâmico sobre o método Bazin de selecionar ações. Vale a pena a leitura. Na edição de hoje, discutiremos a estratégia de investimento voltada para dividendos praticada pelo lendário investidor brasileiro Décio Bazin.

Bazin foi um jornalista econômico, operador de bolsa e investidor. Atuou como jornalista nos jornais Gazeta Mercantil e O Estado de S. Paulo e na revista Balanço Financeiro. Também foi operador em corretora de investimentos.

Ele escreveu o livro Faça fortuna com ações, antes que seja tarde, que mostra a realidade da bolsa brasileira nos anos 1960 e ensina estratégias de investimentos voltadas aos dividendos. É o único livro de investimentos brasileiro recomendado por Luiz Barsi Filho, o maior investidor individual brasileiro.

Bazin defendia muito o investidor de longo prazo, aquele que não busca especular e lucrar com movimentos de curto prazo da bolsa, mas procura tranquilidade e estabilidade financeira. Para ele, essa é a “figura olímpica” da bolsa de valores.

O investidor em questão também ensinou um método para escolher ações baseado em quatro principais tópicos, o chamado “método Bazin”.

  1. Dividend Yield acima de 6%

Bazin buscava investir em companhias pagadoras de dividendos, as quais ele mensurava de acordo com seu pagamento de Dividend Yield (DY).

O Dividend Yield é o indicador que relaciona o preço pago pelas ações com os dividendos recebidos por ela.

Assim, Bazin apenas investia em companhias que retornassem mais de 6% ao ano em dividendos.

Por que 6%? Essa taxa para o DY não é arbitrária: ela equivalia aproximadamente ao retorno dado por títulos públicos na época. Assim, para Bazin, se as ações retornassem menos que 6% em seus dividendos, elas não seriam investimentos atrativos – seria melhor investir na renda fixa.

  1. Endividamento saudável

Bazin não investia em companhias que apresentassem um endividamento muito elevado. No entanto, em seu livro, ele não especifica as métricas analisadas para julgar o endividamento saudável ou não.

Para dimensionarmos se o endividamento é alto, alguns indicadores podem ser usados, como o Dívida Líquida/Ebitda menor que 3-4 vezes.

Esse indicador mostra a capacidade de a companhia honrar seu endividamento em relação à sua geração de caixa. Recomenda-se investir em empresas que apresentem um resultado inferior a três. Mas existem exceções, principalmente companhias com alta previsibilidade de receita.

Outro indicador recomendado é o Dívida Líquida/Patrimônio Líquido menor que 1. Ele mostra como as operações de uma empresa são financiadas. Quando o indicador está acima de 1, a companhia tem mais dívidas do que patrimônio, o que é perigoso.

Dessa forma, quando investimos em empresas com mais patrimônio do que dívidas, limitamos os riscos de eventuais perdas.

  1. Ausência de notícias negativas recentes

Bazin não investia em companhias recentemente envolvidas em notícias negativas. O que seria uma “notícia negativa”?

Notícias que deterioram os fundamentos da companhia, isto é, envolvendo fraude e corrupção na gestão ou uma mudança tecnológica capaz de afetar a operação da empresa, por exemplo.

Não se trata de apenas um trimestre ruim ou um ruído político para levar a não investir em uma companhia, mas sim de uma deterioração dos fundamentos de longo prazo da empresa, como uma mudança abrupta do setor ou dos hábitos de consumo.

  1. Consistência dos dividendos

Para Bazin, um último passo importante para se analisar nas empresas é sua consistência no pagamento de dividendos. Ele analisava os últimos três pagamentos de dividendos das companhias em que investia para observar se eles foram consistentes.

Atualmente, com a maior disponibilidade de informação, é possível observar os pagamentos históricos de dividendos desde o surgimento de uma companhia. Dessa forma, é recomendável buscar empresas que paguem dividendos consistentes e que aumentem esse pagamento com o tempo.

Analisando esses quatro tópicos, você será capaz de seguir o método de Décio Bazin para investir em companhias pagadoras de dividendos.

Recomenda-se que, além dos tópicos, o investidor faça uma análise mais aprofundada da empresa, entendendo seu modelo de negócio e analisando sua gestão, bem como o setor em que ela atua. Ou seja, seus fundamentos, pois eles serão os responsáveis por manter o fluxo crescente de dividendos para os investidores.

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