Qual a Diferença entre Expectativas e Previsões?



Hoje optei por compartilhar mais um excelente texto de Tiago Reis, que particularmente sou muito fã. Ele comenta nesse artigo sobre a diferença entre expectativas e previsões, algo que para muitos é parecido, mas que possuem diferenças imensas. No mercado financeiro não é diferente, infelizmente temos muitas pessoas que tentam adivinhar o futuro ao invés de tentar avaliá-lo. Veja mais no artigo que compartilhamos com vocês abaixo.


Dentro do mundo dos investimentos é bastante comum vermos pessoas fazendo previsões. Questionamentos como: “Quando a próxima crise vai acontecer?", “Será que a bolsa vai subir mais?” e “Devo investir no exterior com o dólar alto?” surgem a todo momento.

Não que essas perguntas não sejam importantes, mas é praticamente impossível identificar quando ou em que proporção esses eventos irão ocorrer.

Ainda assim, existe um bombardeio constante de informações, por todos os lados, com diferentes previsões sobre investimentos. A pergunta aqui é: como saber se podemos confiar ou não nessas previsões?

Para responder melhor a essa pergunta, antes precisamos diferenciar entre os conceitos de expectativa e previsão. Embora tenham semelhanças e pareçam ser a mesma coisa, eles possuem uma grande diferença.

Uma pessoa pode ter a ideia de que alguns investimentos não irão performar tão bem, mas não tem como saber quais serão. É possível esperar uma crise financeira – ou que o mercado tenha uma queda superior a 40% –, mas não é possível prever quando de maneira exata.

De forma resumida, uma expectativa é a aplicação do conhecimento de como as coisas aconteceram no passado em relação à probabilidade de se repetirem no futuro. Já uma previsão ocorre quando se diz que algo acontecerá em um ponto específico no tempo.

O fato é que todos os investidores gostariam de poder prever o que vai acontecer nos próximos anos. No entanto, isso é impossível, pois é muito difícil levar em consideração 100% dos milhares de fatores que impactam o resultado.

Por mais que a expectativa não dê o momento exato em que algo poderá acontecer, ela pode ajudar na preparação contra o fator surpresa quando o problema realmente chegar. Isso é particularmente importante ao lidar com investimentos, pois leva o investidor a tomar decisões considerando uma margem de erro e o deixa preparado para quaisquer frustrações.

Na prática, a diferença entre afirmar que uma crise acontecerá na segunda metade de 2021 e dizer que se espera que aconteça uma crise ao longo da década é gigantesca. Se o investidor mantém uma expectativa, não vai se surpreender quando ela se concretizar – e estará preparado. Porém, caso não a mantenha, ele dificilmente terá preparado seu portfólio de investimentos com diversificação. Portanto, poderá enfrentar problemas.

Nesse ponto, entende-se que é preciso ter cuidado ao dar ouvidos a previsões, até porque ninguém tem uma bola de cristal para adivinhar o futuro. Por outro lado, ter uma ideia geral do que é esperado ajuda o investidor a tomar decisões melhores.

Alguns investidores, munidos de previsões próprias ou de terceiros, acreditam que sempre conseguirão investir nos melhores momentos. Mas isso é mais uma ilusão do que qualquer outra coisa.

É muito difícil acertar o momento certo para fazer a compra ou a venda de investimentos, o chamado market timing. Sendo assim, o investidor de longo prazo deve ter paciência, acima de qualquer previsão ou expectativa.

Investir em ativos que tenham uma margem de segurança e uma diversificação inteligente pode ajudar o investidor a criar uma estratégia melhor no longo prazo, preparando-o para a maior parte dos cenários adversos.

Uma habilidade importante a ser adquirida pelos investidores de longo prazo é comemorar quando o preço das empresas em que ele investe cai – a famosa promoção. Veja que estamos falando de preço, e não de valor.

Isso porque o mercado abre uma oportunidade para o investidor adquirir uma empresa cujos fundamentos estão melhorando (receitas e lucros aumentando, companhia ganhando market share etc.) por preços mais baixos. Obviamente, o investidor deve ter o cuidado para verificar se os fundamentos não estão se deteriorando – caso em que deve se preocupar.

Mas isso nem sempre é fácil. Temos um instinto natural de querer comprar sempre no momento certo, esperando, desde a compra, que nossos ativos se valorizem. No entanto, quando fazemos aportes mensais, estamos acumulando patrimônio e, então, quanto mais barato adquirirmos nossos ativos, melhores serão nossos retornos.

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