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Euforia com Dinheiro é um Problema

Euforia com Dinheiro é um Problema

Estou no mercado financeiro desde 2003, momento que estava na faculdade, caminhando rumo ao meu primeiro estágio e decidi adquirir a minha primeira ação, e diga-se de passagem foi um fiasco. Bem, algo que aprendi ao longo desses anos é que euforia com dinheiro não combinam, e infelizmente nesse momento que as pessoas deveriam ficar mais atentas e cautelosas, elas ficam mais corajosas e destemidas. Como resultado, vemos prejuízos, pequenos, grandes e imensos. Enquanto escrevo esse artigo a bolsa de valores brasileira ultrapassa os 130 mil pontos numa retomada recorde frente a crise que tivemos devido a Covid-19 em 2020, período esse que a nossa bolsa ficou menor que 70 mil pontos. Claro que à medida que a incerteza se esvai e o mercado e a economia começam a caminhar novamente, vemos a bolsa apurando esse reflexo, retornando assim seus preços a patamares normais, ou não tão normais assim. O ponto é que por mais que nossa incerteza é menor do que em 2020, ainda temos muitos pontos que podem acabar com nossa euforia, como por exemplo inflação acelerada, eleições se aproximando, inflação americana caminhando a passos largos pressionando o FED por juros maiores, e o impacto nos cofres públicos para que possamos retomar a nossa agenda produtiva do país, visto que fomos um país que gastou muito no período pandêmico sem ter saúde financeira para isso, o que acarretará naturalmente num aumento de impostos, o que mina ainda mais o lucro das empresas (pois alguém deverá pagar essa conta). Além disso, temos ainda a vacinação que caminha, mas não no ritmo que precisamos, o que naturalmente prejudica muitos setores que dependem de livre acesso de pessoas para voltarem a tona. Vale ressaltar que o problema das vacinas é global, e poucos países conseguiram criar um cronograma ágil suficiente para retomarem suas atividades de forma mais estruturada. Bem, voltando a falar da bolsa, por mais que ainda temos muitos setores que ainda não evoluíram num ritmo forte, e que podem contribuir bastante para que o índice cresça ainda mais, tais coo varejo, construção, viagens e lazer, temos que desconfiar sempre de tudo o que lemos quando a pauta for otimista demais, e digo isso pois somente na data de hoje li artigos e entrevistas afirmando que nossa bolsa bate ainda nesse ano, 140.000, 145.000 e até 150.000 pontos. E claro que pode chegar, mas.... Mas, fique atento, diversifique sua carteira, considere produtos menos arrojados em sua carteira também, tenha produtos atrelados a inflação, e se for caminhar em uma carteira de ações diversifique em setores defensivos e não só naqueles que prometem excelentes ganhos. Lembre-se, euforia demais, perigo à vista.

Qual a Importância da Diversificação?

Qual a Importância da Diversificação?

A diversificação é uma técnica que reduz o risco quando os investimentos são alocados em vários instrumentos financeiros, setores ou categorias. Dessa forma, ela tem como objetivo a maximização da rentabilidade a partir do investimento em diferentes áreas, em que cada uma reage de forma distinta a um mesmo evento. Talvez seja considerado um pouco clichê falar sobre diversificação, mas provavelmente essa é uma das atividades mais importantes para o investidor. A maioria dos profissionais de investimento concorda que, mesmo que não seja uma garantia total para evitar perdas, a diversificação é importante para que sejam alcançados objetivos financeiros de longo prazo, além dela permitir a redução do risco. Por exemplo, um investidor que possui um portfólio composto apenas por ações de companhias aéreas pode ter perdas relevantes caso algo aconteça nesse segmento, como uma alteração na regulação, uma pandemia ou a própria diminuição da demanda por transporte aéreo. Além disso, esse investidor sofrerá consideravelmente caso o dólar se valorize em relação ao real, visto que as empresas aéreas têm muitos custos dolarizados e receitas em reais. O investidor pode balancear sua carteira investindo em ações de outros meios de transporte, como de ferrovias. Assim, apenas parte do portfólio é afetada caso algum desses eventos ocorra. Além disso, o investidor pode precisar diversificar ainda mais devido aos riscos associados a esses dois tipos de empresas. Isso porque, mesmo com a diversificação nos segmentos logísticos, existem eventos negativos que influenciam ambos, como a restrição de viagens e o deslocamento de pessoas. Portanto, o investidor deve também variar os investimentos em diferentes setores e tipos de empresas, que quanto menos correlacionadas forem, melhor. A maneira mais simples de entender essa correlação é se perguntar: “Quanto o ativo X se correlaciona com o ativo Y?”. Vamos a um exemplo. Qual é a correlação da Alupar, empresa de transmissão de energia, com a Apple, desevolvedora do Iphone? Provavelmente, essas companhias se correlacionam muito pouco. De um lado temos uma empresa de energia brasileira e do outro uma empresa de tecnologia do exterior. Tratam-se de companhias com modelos de negócio totalmente distintos, além de estarem expostas em economias distantes. Enquanto uma está exposta a um mercado regulado brasileiro, a outra é uma companhia global com várias linhas de negócios, sendo que a principal é a venda do Iphone. Facilmente, percebemos que elas não possuem uma correlação significativa. A diversificação entre classes diferentes de ativos também pode ser uma estratégia interessante, como ações, fundos imobiliários, renda fixa e ativos no exterior. Essa pode ser uma maneira de reduzir bastante a sensibilidade da carteira com relação às oscilações do mercado que afetam ativos específicos. Quando o assunto é diversificar, nada impede o investidor de buscar alternativas fora da sua localização geográfica. Investir em outras economias e moedas pode aumentar o retorno e reduzir os riscos da carteira. Existem dois riscos principais aos quais é preciso estar atento: O risco sistemático ou de mercado, que atinge todas as empresas da economia. Ele afeta o mercado na totalidade e não uma empresa ou setor específico. Em geral, não é eliminado por meio da diversificação e todos os investidores devem aceitá-lo como parte dos investimentos. Uma pandemia é um exemplo, porque diminui a atividade econômica, afetando a maioria dos setores da economia. O risco não-sistemático é aquele que afeta de forma específica uma empresa, indústria, mercado, economia ou país. Aqui a diversificação tem um papel muito importante na redução dos riscos e é onde o investidor deve ter um foco maior. Para um investidor que investe no segmento de Companhias Aéreas, como citamos anteriormente, uma boa forma de diversificar o seu investimento é ter em seu portfólio empresas cujas receitas são dolarizadas e com os custos medidos em reais, como é o caso das exportadoras. Assim, em uma alta relevante do dólar, suas empresas aéreas serão penalizadas, enquanto as exportadoras serão beneficiadas. O investidor não deve negligenciar a diversificação, pois com ela é possível mitigar muitos riscos, sejam eles oriundos de determinada localização ou de algum evento específico.

Mercado Financeiro X Otimismo

Mercado Financeiro X Otimismo

Recentemente, conversando com um grande amigo e ele me falou um pouco sobre seus investimentos, muitos deles bem alocados e outros um tanto questionáveis. Claro que posso estar errado, claro que o mercado financeiro muitas vezes é surpreendente e claro que nunca conseguiremos compreender de antemão certos movimentos. O ponto dessa história é o otimismo sem fundamento, ou melhor quando se abandona a razão para começar a torcer por uma determinada empresa em sua carteira de ações, e vale salientar que esse comportamento levou muita gente à prejuízos extremos. Uma vez me disseram que o menor prejuízo será sempre o primeiro, ou seja, que quando vemos um erro que nos causa prejuízo, devemos de forma rápida solucionar o caso, e nesse sentido o melhor a se fazer será em grande parte, assumi-lo. Porém, quando falamos de mercado financeiro não é bem assim que as coisas acontecem, pois a emoção é um fator importante na tomada de decisão de muitas pessoas, tanto na compra, como na venda, como também na manutenção de um determinado ativo. Sendo assim, o que sempre questiono quando encontro um investidor que possui uma carteira são os motivos que o levarão a adquirir tal ativo, e conforme as suas respostas sabemos se aquela compra foi algo relacionado a razão ou somente a emoção. E esse é o grande ponto desse artigo, e sobre a conversa que tive com meu amigo, pois ao questioná-lo sobre os pontos de sua carteira notei que a manutenção de certas ações que apresentavam grande prejuízo era que a mesma iria se recuperar, mas a esperança provavelmente não se realizaria como ele esperava. Quando uma determinada ação perde sua justificativa, seus motivos para crescer, ou devido a uma mudança de mercado ou interna, é difícil justificarmos um preço alto para tal ativo, e nesse caso o mercado se ajustará, ou seja, caminhando rumo ao valor correto desse ativo. Se nenhum evento diferente ocorrer, o preço correto desse ativo é o atual, pois ele não tem mais força para alcançar o preço que um dia teve, ou seja, não é porque uma ação valeu X algum dia na vida que ela deve voltar a valor X algum dia. E isso que meu amigo não queria admitir, que seu ativo não tinha mais justificativas para voltar a subir e voltar ao preço anterior, algo em torno de 80% do que valia. Meu amigo estava se mantendo não por causa de fundamentos, mas sim pelo otimismo cego, o que é um perigo. Sendo assim, meu caro investidor, sempre se questione, sempre questione a sua carteira. A pergunta chave sempre será, os motivos que me levaram a comprar tal ação ainda se mantêm intactos? Se a resposta for não, reavalie seu ativo para compreender seu poder de valorização, e se porventura você estiver errado e ele tenha perdido seus parâmetros o melhor caminho é assumir o prejuízo e o erro e voltar para o jogo com a lição aprendida.

Qual a Diferença entre Expectativas e Previsões?

Qual a Diferença entre Expectativas e Previsões?

Hoje optei por compartilhar mais um excelente texto de Tiago Reis, que particularmente sou muito fã. Ele comenta nesse artigo sobre a diferença entre expectativas e previsões, algo que para muitos é parecido, mas que possuem diferenças imensas.

No mercado financeiro não é diferente, infelizmente temos muitas pessoas que tentam adivinhar o futuro ao invés de tentar avaliá-lo. Veja mais no artigo que compartilhamos com vocês abaixo. Dentro do mundo dos investimentos é bastante comum vermos pessoas fazendo previsões. Questionamentos como: “Quando a próxima crise vai acontecer?", “Será que a bolsa vai subir mais?” e “Devo investir no exterior com o dólar alto?” surgem a todo momento. Não que essas perguntas não sejam importantes, mas é praticamente impossível identificar quando ou em que proporção esses eventos irão ocorrer. Ainda assim, existe um bombardeio constante de informações, por todos os lados, com diferentes previsões sobre investimentos. A pergunta aqui é: como saber se podemos confiar ou não nessas previsões? Para responder melhor a essa pergunta, antes precisamos diferenciar entre os conceitos de expectativa e previsão. Embora tenham semelhanças e pareçam ser a mesma coisa, eles possuem uma grande diferença. Uma pessoa pode ter a ideia de que alguns investimentos não irão performar tão bem, mas não tem como saber quais serão. É possível esperar uma crise financeira – ou que o mercado tenha uma queda superior a 40% –, mas não é possível prever quando de maneira exata. De forma resumida, uma expectativa é a aplicação do conhecimento de como as coisas aconteceram no passado em relação à probabilidade de se repetirem no futuro. Já uma previsão ocorre quando se diz que algo acontecerá em um ponto específico no tempo. O fato é que todos os investidores gostariam de poder prever o que vai acontecer nos próximos anos. No entanto, isso é impossível, pois é muito difícil levar em consideração 100% dos milhares de fatores que impactam o resultado. Por mais que a expectativa não dê o momento exato em que algo poderá acontecer, ela pode ajudar na preparação contra o fator surpresa quando o problema realmente chegar. Isso é particularmente importante ao lidar com investimentos, pois leva o investidor a tomar decisões considerando uma margem de erro e o deixa preparado para quaisquer frustrações. Na prática, a diferença entre afirmar que uma crise acontecerá na segunda metade de 2021 e dizer que se espera que aconteça uma crise ao longo da década é gigantesca. Se o investidor mantém uma expectativa, não vai se surpreender quando ela se concretizar – e estará preparado. Porém, caso não a mantenha, ele dificilmente terá preparado seu portfólio de investimentos com diversificação. Portanto, poderá enfrentar problemas. Nesse ponto, entende-se que é preciso ter cuidado ao dar ouvidos a previsões, até porque ninguém tem uma bola de cristal para adivinhar o futuro. Por outro lado, ter uma ideia geral do que é esperado ajuda o investidor a tomar decisões melhores. Alguns investidores, munidos de previsões próprias ou de terceiros, acreditam que sempre conseguirão investir nos melhores momentos. Mas isso é mais uma ilusão do que qualquer outra coisa. É muito difícil acertar o momento certo para fazer a compra ou a venda de investimentos, o chamado market timing. Sendo assim, o investidor de longo prazo deve ter paciência, acima de qualquer previsão ou expectativa. Investir em ativos que tenham uma margem de segurança e uma diversificação inteligente pode ajudar o investidor a criar uma estratégia melhor no longo prazo, preparando-o para a maior parte dos cenários adversos. Uma habilidade importante a ser adquirida pelos investidores de longo prazo é comemorar quando o preço das empresas em que ele investe cai – a famosa promoção. Veja que estamos falando de preço, e não de valor. Isso porque o mercado abre uma oportunidade para o investidor adquirir uma empresa cujos fundamentos estão melhorando (receitas e lucros aumentando, companhia ganhando market share etc.) por preços mais baixos. Obviamente, o investidor deve ter o cuidado para verificar se os fundamentos não estão se deteriorando – caso em que deve se preocupar. Mas isso nem sempre é fácil. Temos um instinto natural de querer comprar sempre no momento certo, esperando, desde a compra, que nossos ativos se valorizem. No entanto, quando fazemos aportes mensais, estamos acumulando patrimônio e, então, quanto mais barato adquirirmos nossos ativos, melhores serão nossos retornos.

Reflexões Sobre o Valor Intrínseco

Reflexões Sobre o Valor Intrínseco

Iremos publicar esse grande artigo de Tiago Reis que explica de forma muito clara as formas de avaliarmos o mercado de ações. Selecionar boas empresas é algo importante demais nesse momento de instabilidade que estamos, pois algumas apostas podem nunca se confirmar, mas boas empresas podem até demorar, mas consegue se recuperar. No mundo dos investimentos, existem diversas estratégias disseminadas em uma infinidade de livros e artigos. As duas principais são a análise técnica e a análise fundamentalista. A primeira estratégia se baseia puramente no movimento dos preços dos ativos. Com base nos dados do passado e com auxílio da estatística, os analistas técnicos tentam prever a próxima subida (ou descida) no curto prazo para ganhar, por exemplo, comprando a um patamar mais barato e vendendo rapidamente a preços mais elevados. Entretanto, segundo a teoria do passeio aleatório (random walk hypothesis), de Eugene Fama, as variações dos preços das ações independem uma da outra. Ou seja, trata-se de um processo aleatório que não ajuda a estimar a valorização futura dos ativos. É similar a pensar que, mesmo se uma moeda desse 10 “caras” seguidas, ao jogá-la pela 11ª vez, a probabilidade de cair “cara” novamente seria a mesma de 50%. Por sua vez, a segunda estratégia se concentra nos fundamentos de uma empresa. Ela contém basicamente duas frentes: value investing e growth investing. Na forma mais simples, o investimento em valor defende que, para se investir com sucesso, deve-se comprar um ativo abaixo de seu valor intrínseco e vendê-lo a um preço superior. Mas o que é o valor intrínseco? Segundo Warren Buffett, o valor intrínseco é determinado pelos fluxos de caixa futuro trazidos a valor presente que podem ser retirados da companhia durante sua existência. Em outras palavras, o crescimento da geração de caixa livre aumenta o valor intrínseco da empresa. E como os fundamentos da empresa estão relacionados ao valor dela? Fundamentos como a qualidade do produto/serviço, da capacidade de produção, do crescimento potencial, da gestão, das vantagens competitivas, da força da marca, da solidez do balanço, dos resultados financeiros, dos recursos humanos, das patentes, entre diversos outros elementos, são as características que, em última instância, refletem a capacidade de uma empresa gerar caixa. Portanto, quanto melhores os fundamentos de um negócio, maior será sua capacidade de gerar caixa, o que resulta em um aumento do valor intrínseco. Na forma mais elementar, o investidor de valor busca comprar ativos por preços de barganha, de modo que diminua o risco por meio da margem de segurança. Apesar de a ideia ser simples, sua aplicação não é fácil. Vejamos dois pontos que esclarecem a dificuldade de encontrar barganhas: Primeiro, você deve ter em mãos uma boa estimativa do valor. Afinal, se pagar caro, será necessária uma valorização surpreendente, um mercado em alta ou um comprador ainda menos exigente para compensar o preço pago. O segundo ponto é que, se você estiver correto, deve se ater ao valor estimado. Por exemplo, suponha que o valor calculado para as ações de uma empresa é R$ 100, mas que ela está cotada a R$ 60 na bolsa. Então você compra nesse preço, afinal a ação segue bem descontada. Porém, nos dias seguintes, o pregão nos mostra preços de R$ 55, depois R$ 50 e, por fim, R$ 40. Se você não mantiver o temperamento certo, poderá se fraudar com pensamentos como “talvez eu esteja errado; e o mercado, certo” ou “caiu tanto que venderei antes que atinja R$ 0”. A aversão a perdas é da natureza humana. Logo, é comum ficarmos preocupados com preços caindo assim que compramos. Porém, deveríamos estar dispostos a comprar mais ações em casos de queda de preços, bem como compramos mais roupas, mais comida ou qualquer outro item de consumo em promoção. Se os fundamentos não mudam, racionalmente, é melhor investir mais (ou manter a posição) do que fazer o contrário, isto é, resgatar com prejuízo! No mercado acionário, estar certo não é a mesma coisa que se provar certo imediatamente. Como no exemplo anterior: apesar de você estar certo sobre o valor intrínseco de R$ 100 (e ter comprado a R$ 60), é quase sempre inevitável que a ação caia no curto prazo antes de se aproximar de seu real valor no longo prazo. Em resumo, os investidores em valor são pacientes o suficiente para encontrar as reais barganhas e investir com margem de segurança. Após a compra, é preciso apenas ater-se ao valor intrínseco estimado e ignorar a volatilidade do curto prazo. Assim, o ativo caminhará até seu valor intrínseco, em caso de acerto. Por fim, em The Most Important Thing, Howard Marks afirma: “Para o investimento ser bem-sucedido, uma estimativa precisa do valor intrínseco é o ponto de início indispensável. Sem ela, qualquer esperança para o sucesso consistente como um investidor é nada além disso: uma esperança”.

Economia Comportamental

Economia Comportamental

A teoria econômica tradicional é povoada por princípios e conceitos que modelam o ser humano como um indivíduo racional, conhecido como homo economicus. Esse indivíduo, analisando todas as informações disponíveis, tomaria decisões com base em cálculos quantitativos. Por exemplo, consumidores pensam em como maximizar seu consumo, tendo em vista suas restrições orçamentárias. Administradores de empresas maximizam seus lucros calculando orçamento, custos e benefícios. Mas como bem descreveu Gregory Mankiw, “as pessoas reais, contudo, são Homo sapiens”. Apesar de o ser humano de certa forma se assemelhar a esse ser econômico – racional e calculista –, ele é mais complexo. As decisões dos Homo sapiens podem ser influenciadas por fatores como hábitos, cultura, experiência pessoal e emoção, bem como pelo comportamento de outras pessoas. De forma geral, os indivíduos têm dificuldade de equilibrar demandas de curto e longo prazo e, muitas vezes, tomam decisões que satisfazem suas necessidades apenas no momento presente. Assim, surgiu recentemente a economia comportamental – em contraposição à visão tradicional –, na tentativa de entender melhor as decisões dos indivíduos e dos mercados, levando em conta esses fatores subjetivos. Ela utiliza tanto aspectos da economia mainstream como da psicologia, neurociência, entre outros campos das ciências sociais. Ou seja, a economia comportamental busca compreender e modelar as decisões das pessoas de forma mais realista. Para se ter ideia da importância recente dessa área, o estudo da economia comportamental já rendeu dois prêmios Nobel de Economia: ao psicólogo Daniel Kahneman, em 2002, e ao economista Richard Thaler, em 2017. Caso você tenha mais interesse nesse assunto, indicamos os livros Rápido e Devagar: as duas formas de pensar, de Kahneman, e Misbehaving: a construção da economia comportamental, de Thaler. Nesse perspectiva, vamos apresentar algumas descobertas dessa “nova” economia. A primeira delas: os indivíduos são excessivamente confiantes. Pesquisas mostram que 80% das pessoas se consideram acima da média com relação às suas habilidades como motorista, senso de humor, capacidade de liderança, entre outras. Da mesma forma, vários investidores acreditam que sua habilidade de bater o mercado está acima da média. Dispor de muito dinheiro, formação acadêmica e acesso a informações e tecnologia induz os indivíduos a um comportamento de autoconfiança. Na realidade, porém, vencer o mercado é extremamente difícil: esse tipo de comportamento pode acarretar perdas consideráveis. Outro resultado interessante é que as pessoas relutam em mudar de ideia. Elas tendem, isto é, nós tendemos a dar um peso maior às evidências que confirmem nossas próprias crenças. Por exemplo, quando lemos um relatório de investimento, procuramos ver os lados positivos e negativos das empresas. Mas muitas vezes, mesmo com pontos negativos relevantes, os investidores – por gostarem do negócio em questão – dão mais importância aos positivos. Dessa forma, duas pessoas, ao olharem o mesmo relatório, podem apresentar interpretações opostas devido às suas preferências pessoais. Por fim, gostaríamos de falar do comportamento de manada. O comportamento de manada é a tendência das pessoas de seguir um grupo, acreditando que a opinião da maioria é a correta. De maneira geral, ao nos depararmos com problemas ou soluções complexas, optamos por seguir a multidão. Bolhas especulativas surgem, em muitos casos, devido à compra intensa de determinado ativo. Ao começar a se valorizar, ele atrai a atenção de outros investidores – mesmo não sendo, necessariamente, um bom investimento. Nesse sentido, o preço da ação começa a subir, até que algumas pessoas percebem que seu valor está muito acima dos fundamentos econômicos da empresa. Assim, inicia-se um processo intenso de vendas, o que leva a outro efeito manada. Afinal, um grupo de investidores começa a vender as ações, e todo mundo vai atrás. O investidor pode acabar abandonando o senso de análise apenas por medo de perder a viagem. E por que precisamos nos debruçar sobre esses conceitos? Saber o que influencia as decisões humanas – hábitos, cultura, experiências, emoções – pode diminuir nossos erros e vieses em momentos de turbulência. Além disso, pode nos tornar mais independentes e seguros em nossas tomadas de decisão, bem como melhorar nossos resultados no futuro.

O Método Bazin

O Método Bazin

Nas últimas semanas compartilhamos textos de outros autores. Nesse por exemplo Tiago Reis faz um resumo simples e dinâmico sobre o método Bazin de selecionar ações. Vale a pena a leitura.

Na edição de hoje, discutiremos a estratégia de investimento voltada para dividendos praticada pelo lendário investidor brasileiro Décio Bazin. Bazin foi um jornalista econômico, operador de bolsa e investidor. Atuou como jornalista nos jornais Gazeta Mercantil e O Estado de S. Paulo e na revista Balanço Financeiro. Também foi operador em corretora de investimentos. Ele escreveu o livro Faça fortuna com ações, antes que seja tarde, que mostra a realidade da bolsa brasileira nos anos 1960 e ensina estratégias de investimentos voltadas aos dividendos. É o único livro de investimentos brasileiro recomendado por Luiz Barsi Filho, o maior investidor individual brasileiro. Bazin defendia muito o investidor de longo prazo, aquele que não busca especular e lucrar com movimentos de curto prazo da bolsa, mas procura tranquilidade e estabilidade financeira. Para ele, essa é a “figura olímpica” da bolsa de valores. O investidor em questão também ensinou um método para escolher ações baseado em quatro principais tópicos, o chamado “método Bazin”. Dividend Yield acima de 6% Bazin buscava investir em companhias pagadoras de dividendos, as quais ele mensurava de acordo com seu pagamento de Dividend Yield (DY). O Dividend Yield é o indicador que relaciona o preço pago pelas ações com os dividendos recebidos por ela. Assim, Bazin apenas investia em companhias que retornassem mais de 6% ao ano em dividendos. Por que 6%? Essa taxa para o DY não é arbitrária: ela equivalia aproximadamente ao retorno dado por títulos públicos na época. Assim, para Bazin, se as ações retornassem menos que 6% em seus dividendos, elas não seriam investimentos atrativos – seria melhor investir na renda fixa. Endividamento saudável Bazin não investia em companhias que apresentassem um endividamento muito elevado. No entanto, em seu livro, ele não especifica as métricas analisadas para julgar o endividamento saudável ou não. Para dimensionarmos se o endividamento é alto, alguns indicadores podem ser usados, como o Dívida Líquida/Ebitda menor que 3-4 vezes. Esse indicador mostra a capacidade de a companhia honrar seu endividamento em relação à sua geração de caixa. Recomenda-se investir em empresas que apresentem um resultado inferior a três. Mas existem exceções, principalmente companhias com alta previsibilidade de receita. Outro indicador recomendado é o Dívida Líquida/Patrimônio Líquido menor que 1. Ele mostra como as operações de uma empresa são financiadas. Quando o indicador está acima de 1, a companhia tem mais dívidas do que patrimônio, o que é perigoso. Dessa forma, quando investimos em empresas com mais patrimônio do que dívidas, limitamos os riscos de eventuais perdas. Ausência de notícias negativas recentes Bazin não investia em companhias recentemente envolvidas em notícias negativas. O que seria uma “notícia negativa”? Notícias que deterioram os fundamentos da companhia, isto é, envolvendo fraude e corrupção na gestão ou uma mudança tecnológica capaz de afetar a operação da empresa, por exemplo. Não se trata de apenas um trimestre ruim ou um ruído político para levar a não investir em uma companhia, mas sim de uma deterioração dos fundamentos de longo prazo da empresa, como uma mudança abrupta do setor ou dos hábitos de consumo. Consistência dos dividendos Para Bazin, um último passo importante para se analisar nas empresas é sua consistência no pagamento de dividendos. Ele analisava os últimos três pagamentos de dividendos das companhias em que investia para observar se eles foram consistentes. Atualmente, com a maior disponibilidade de informação, é possível observar os pagamentos históricos de dividendos desde o surgimento de uma companhia. Dessa forma, é recomendável buscar empresas que paguem dividendos consistentes e que aumentem esse pagamento com o tempo. Analisando esses quatro tópicos, você será capaz de seguir o método de Décio Bazin para investir em companhias pagadoras de dividendos. Recomenda-se que, além dos tópicos, o investidor faça uma análise mais aprofundada da empresa, entendendo seu modelo de negócio e analisando sua gestão, bem como o setor em que ela atua. Ou seja, seus fundamentos, pois eles serão os responsáveis por manter o fluxo crescente de dividendos para os investidores.

O Efeito que Quase Todo Mundo Ignora - A Paciência Pode te Deixar Milionário

O Efeito que Quase Todo Mundo Ignora - A Paciência Pode te Deixar Milionário

Um poder subestimado Assim como pequenas nascentes formam rios gigantescos, fortunas também podem ser alcançadas por aqueles que realizam bons investimentos e possuem paciência. Por conta da “mágica” do efeito dos juros sobre juros, uma pequena variação na taxa de retorno de seus investimentos faz enorme diferença no resultado obtido. O conceito dos juros compostos não é algo muito difícil de se compreender, mas o seu cálculo é um pouco mais problemático – por envolver uma função exponencial. Normalmente, as pessoas fazem o cálculo em dois passos: primeiro calculam o valor do capital no período, usando uma função linear, e depois ajustam esse valor para levar em consideração o efeito dos juros sobre o que foi acumulado como retorno no período. Por exemplo, para determinar o valor de futuro de um investimento de 100.000 reais rendendo 10 por cento ao ano, pelo prazo de 10 anos, primeiro fazem a apreciação do capital linearmente e sem os juros compostos, chegando em 200.000 reais, e depois adicionam algum prêmio para levar em consideração o efeito dos juros sobre juros. Esse prêmio estimado costuma ser muito pequeno quando a taxa de retorno é alta ou o prazo é longo. Nesse exemplo, o valor acumulado ao final do período é de 259.374 reais. A subestimação do poder dos juros compostos no longo prazo muitas vezes leva os investidores iniciantes a postergarem a sua procura por investimentos mais rentáveis. Com plena consciência das diferenças que pequenas variações no retorno anual fazem no patrimônio final acumulado no longo prazo, os investidores certamente buscariam maneiras de investir melhor o mais rápido possível. Mantendo essa taxa de retorno ao longo dos anos, o tempo necessário para chegar em 200.000 reais é de cerca de 8 anos. Depois disso, são necessários menos de 4 anos adicionais para se alcançar os 300.000 reais, menos de 3 anos extras para chegar aos 400.000 reais e, em 17 anos, a marca de 500.000 reais já foi superada. Fortuna na bolsa Estendendo o horizonte de investimentos, o poder de multiplicação patrimonial dos juros compostos é ainda maior. Utilizando a rentabilidade de 10 por cento do exemplo anterior, em 25 anos, a marca de 1 milhão de reais seria alcançada! Mas veja como uma pequena variação no retorno faz uma enorme diferença, obtendo um rendimento apenas 1 ponto percentual superior, ou seja, de 11 por cento ao ano, o patrimônio acumulado ao final de uma década é de 1,3 milhão. Se o retorno for de 12 por cento, o patrimônio será de 1,7 milhão e, com apenas 3 pontos percentuais a mais no retorno anual obtido no período, o valor final do investimento mais do que dobra e alcança 2,1 milhões de reais. Olhando para o canto inferior direito da tabela, é possível entender como patrimônios bilionários foram alcançados na bolsa por investidores com grande disciplina e paciência, como Warren Buffett ou Luiz Barsi. Essa tabela desconsidera completamente qualquer aporte adicional em relação aos 100.000 reais inicialmente investidos. Mesmo assim, demonstra que dedicar uma vida aos investimentos torna possível construir enormes fortunas na bolsa. Em um país com taxas de juros baixas, investir somente na renda fixa não é suficiente para quem quer multiplicar seu patrimônio e alcançar a liberdade financeira. Por isso, o número de investidores em ações tem crescido de maneira acelerada nos últimos anos, mas investir em ações não é como investir em renda fixa, em que a taxa de retorno é determinada previamente. Investir em ações tem um potencial de retorno muito maior, mas envolve riscos completamente diferentes, já que, ao investir em ações, estamos investindo em empresas que podem prosperar ou encontrar a ruína em seu futuro. Dessa forma, buscar a adequada orientação é essencial, não apenas para que você alcance seus objetivos financeiros, mas também para que você não cometa os principais erros dos investidores iniciantes. O fato é que se você está pensando em começar a investir em ações não deve perder tempo, afinal, a tabela acima deixa bem claro que, quanto mais cedo você começar, mais tranquila será a sua aposentadoria.

A Culpa de seu Insucesso Financeiro é Dos Seus Pais

A Culpa de seu Insucesso Financeiro é Dos Seus Pais

Um dos pecados mais cometidos pelas pessoas sem dúvida é relacionado a apontar culpados por nossos fracassos. É fácil, simples e libertador. Só tem um pequeno problema! Apontar culpados não fazem os problemas desaparecerem! Em 2012 eu e meu sócio estávamos de saída do mercado corporativo decididos a empreender no mundo das Finanças e Investimentos, e como sempre demos muitos conselhos caminhamos pela estrada educacional. Por alguns anos antes de abrir a RV4 Investimentos ministramos cursos e palestras relacionadas a Educação Financeira e Finanças Pessoais pelo Brasil e já adianto que foi um caminho extremamente desafiador, mas recompensador. Ao longo dessa estrada conversamos com muitas pessoas e algo comum nos chamava a atenção quando nos deparávamos com pessoas que infelizmente estavam com suas finanças em péssimo estado, era quem elas apontavam como culpados por aquilo. E os dois maiores culpados eram seus pais ou a escola. Essas pessoas diziam que seus problemas com consumismo ou por terem fontes de renda ruins era culpa de não terem aprendido em casa ou na escola sobre finanças pessoais, e já deixo o meu comentário antecipado que sem dúvida se esse tema fosse tratado de forma mais rotineira, muitos adultos seriam mais conscientes. Bom, eu adoraria ser complacente com esse argumento, mas não será o caso. Seus pais e a escola não escolheram seus caminhos, portanto se hoje você tem problemas financeiros a culpa é inteiramente sua, pois as escolhas foram suas. E sou muito crítico com isso, pois acredito demais que aprendemos mais com o auto estudo, com a nossa busca por melhoria do que um terceiro vir a nós para transferir conhecimento. Claro que quando isso acontece é incrível, claro que se as escolas e famílias tivessem uma cultura financeira melhor seria mágico, mas não podemos esperar que isso ocorra, temos que ser responsáveis pelo conhecimento que buscamos e absorvemos. Pense comigo, uma pessoa de 40 anos que saiu da escola e da casa dos pais aos 18 anos. Se ambas não lhe deram a educação financeira necessária para sua vida não importa mais, essa pessoa passou mais tempo fora de casa e da escola do que dentro, será que não daria tempo para aprender a gerir melhor seus recursos? Acredito piamente que enfrentamos problemas muito maiores do que a falta de educação financeira e dentre esses pontos cito alguns: - Não ter o hábito da leitura e do auto estudo - O ciclo social que as pessoas seguem - Preferir TV à leitura - Não planejar um horário em sua agenda para avaliar suas finanças e pensar em como melhorá-las - Preferir reclamar ao invés de solucionar - Considerar a média nacional como parâmetro para algo (Exemplo: A média nacional ganha R$4.000 e você ganha R$5.000 e isso gera um conforto) - Ter uma cultura mais forte voltada à diversão e menos a Educação Claro que sei que nosso país é pobre em vários aspectos e que algumas pessoas não têm capital nem para pensar em algo diferente do que sua sobrevivência, mas não estou escrevendo esse artigo para elas nesse momento, e sim para as pessoas que tiveram acesso a uma educação básica ou completa, que tem uma estrutura familiar razoável ou boa e que culpam o mundo pelos seus fracassos financeiros. As pessoas que não têm acesso nem a isso penso que com pessoas mais bem fortalecidas financeiramente poderemos crescer mais, poupar mais, investir melhor, e naturalmente ficarmos financeiramente estruturados e tranquilos, e naturalmente com o crescimento as pessoas podem doar mais, ajudando assim quem realmente precisa. A melhor forma de fazer um país como o nosso crescer não é depender de nossa classe política, torcer para eles fazerem mais e melhor por nós e sim crescermos apesar de todos os fatores contra nós, e nos comprometermos a ajudar, doar para que assim possamos ter um país melhor. O melhor programa social que existe é o progresso de sua população.

O Seu cérebro e Seus Investimentos

O Seu cérebro e Seus Investimentos

Hoje optamos por postar esse incrível texto de Rafael Ragazi sobre a psicologia do investidor. A maioria das pessoas perdem dinheiro ao investir por simplesmente não controlarem ou conhecerem suas emoções, e por isso optamos por compartilhar com todos esse excelente texto. Investir é psicológico Todos sabem que se deve comprar na baixa e vender na alta, contudo, frequentemente, compram na alta e vendem na baixa. Todos sabem que vender no pânico é uma péssima ideia, mas basta um rumor (que muitas vezes nem é confirmado depois) para que a ação de uma empresa perca bilhões em valor de mercado num piscar de olhos. Todos sabem que ninguém consegue prever o que vai acontecer com o mercado, todavia os investidores adoram seguir qualquer estimativa que possa aparecer em sua frente. Todos sabem que ficar correndo atrás das ações (ou dos fundos) que mais subiram é um ótimo caminho para perder dinheiro, porém investidores se pegam fazendo isso mesmo quando já haviam prometido a si próprios que nunca mais cometeriam esse erro. Sim...investir é psicológico. Quando se trata das decisões relacionadas a investimentos, nosso cérebro é muito menos consistente, eficiente e lógico do que gostaríamos que ele fosse. Ao investir – não importa se você é um gestor profissional, um vencedor de um prêmio Nobel ou apenas alguém preocupado com sua aposentadoria – seu cérebro combina os frios cálculos sobre probabilidades com reações instintivas relacionadas à euforia do ganho ou à angústia da perda. Ao investir, seu cérebro pode gerar um turbilhão de emoções. Você não vai simplesmente somar, multiplicar, estimar e avaliar. Quando você ganha, perde ou arrisca dinheiro, você vai sentir algumas das emoções mais profundas que o ser humano pode sentir. O psicólogo Daniel Kahneman, autor do livro “Rápido e Devagar” (se você ainda não o leu, deveria), diz que o processo decisório sobre investimentos não é necessariamente sobre dinheiro, mas sim influenciado por motivos intangíveis como evitar o arrependimento ou alcançar o orgulho. Investir exige que você tome decisões com informações sobre o passado e palpites no presente sobre riscos e recompensas que vão se materializar apenas no futuro. Ao longo do processo, você será influenciado por várias emoções como esperança, ganância, orgulho, medo, pânico, arrependimento, felicidade… O cérebro é uma máquina que funciona brilhantemente quando o objetivo é mantê-lo longe dos perigos da vida ou guiá-lo para recompensas básicas como comida, conforto e amor. Mas essa máquina não foi programada para lidar com as complicadas decisões que você tem que tomar no confuso e complexo mercado financeiro. Os três tipos de investidores O escritor e colunista do The Wall Street Journal, Jason Zweig, acredita que existem apenas 3 tipos de investidores: os que se acham gênios, os que se acham idiotas e os que não têm certeza. Via de regra, aqueles que não têm certeza são os que estão certos. Se você acredita que é um gênio dos investimentos, certamente é menos esperto do que imagina e deveria se policiar para não perder dinheiro tentando ser mais inteligente que os outros. Se você pensa que é um idiota em relação aos seus investimentos, você provavelmente é mais esperto do que acredita e precisa apenas treinar seu cérebro para entender como triunfar investindo. Conhecer mais sobre si mesmo vai fazer você ganhar mais dinheiro (ou pelo menos impedi-lo de perder mais). O campo da neurociência – mais especificamente o campo da neuroeconomia – tem muito a lhe ensinar, veja algumas das descobertas dos últimos anos: • Um lucro ou prejuízo monetário não é apenas um resultado financeiro ou psicológico, é algo que gera efeitos biológicos profundos em seu cérebro e em seu corpo. • A atividade neural de alguém que está ganhando dinheiro é indistinguível da de alguém que está sob efeito de substâncias como a cocaína ou morfina. • Depois de duas repetições de um estímulo – como uma ação que sobe dois dias seguidos –, o cérebro humano automaticamente e inconscientemente espera uma terceira repetição. • Quando as pessoas chegam à conclusão de que retornos nos investimentos são previsíveis, seus cérebros respondem com um alarme quando o padrão aparente é quebrado. • As perdas financeiras são processadas nas mesmas áreas do cérebro que respondem aos riscos mortais. • Antecipar um ganho e de fato alcançá-lo são acontecimentos processados de maneiras completamente diferentes pelo cérebro. • A expectativa criada sobre eventos bons ou ruins é muito mais intensa que a real experiência ao vivenciá-los. Entender como o cérebro funciona e como ele pode afetar seus investimentos vai lhe permitir determinar objetivos mais realistas e alcançáveis, além de torná-lo um investidor mais calmo e paciente. Ademais, você conseguirá utilizar as notícias filtrando os ruídos do mercado, medir os limites da sua expertise, minimizar a quantidade e severidade dos seus erros e, por fim, controlar o que pode e não se preocupar com o resto. Talvez estudar mais sobre investimentos não é o que vai fazer você obter um melhor resultado, às vezes, o que você precisa para alcançar retornos superiores com mais segurança é se conhecer melhor.

A Bolha do Mercado Acionário Japonês

A Bolha do Mercado Acionário Japonês

Optamos hoje por postar um texto incrível de Tiago Reis por 2 motivos. Primeiro por compreender que muitas respostas ao nosso presente já foram esclarecidas em nossa história, ou seja, temos que tomar cuidado para não cometermos os mesmos erros do passado, e segundo pelo momento atual necessitar de revisões sobre o que não deu certo no passado. Na edição de hoje, comentaremos a bolha que afetou a economia japonesa em 1989, levando o Japão a uma recessão que dura até hoje. Essa bolha nos traz ensinamentos sobre os perigos de uma postura expansionista dos bancos centrais – e os riscos de o investidor seguir a manada. Em primeiro lugar, o precursor da bolha de 1989 foi a grande expansão da economia japonesa materializada no período posterior à Segunda Guerra Mundial. Nessa guerra, o Japão foi derrotado e sua economia sofreu perdas pesadas. Logo depois da guerra, o desemprego do Japão era muito alto; a inflação, gigantesca. Também faltavam matérias-primas e comida no país. A situação levou diversos economistas globais a acreditar que o país nunca teria uma economia forte e que viveria basicamente de subsistência. Apesar do pessimismo global, o Japão planejava uma recuperação. Para tanto, dispunha de profissionais capacitados, uma boa rede de infraestrutura e um governo que visava a recuperar sua economia. Com seus esforços e o apoio dos Estados Unidos no pós-guerra, em 1950 a economia japonesa já havia se estabilizado. Na década de 1960, o Japão passou a ser conhecido como um milagre econômico, com crescimento acima de 10% em seu PIB ano após ano. No início desse grande crescimento econômico, as empresas japonesas não recorriam ao mercado de capitais para arrecadar fundos, mas aos bancos. Portanto, esse sistema fez os bancos desempenharem um papel importante na economia. Na década seguinte, a economia japonesa já não crescia tanto quanto antes, porém suas exportações de carros e produtos tecnológicos, principalmente para os EUA, permitiram que o país ainda crescesse de forma acentuada. Em 1974, a balança comercial do Japão com os EUA estava praticamente no zero a zero. Em 1976, o déficit dos EUA na balança comercial com o Japão estava em US$ 4 bilhões. Em 1978, em cerca de US$ 10 bilhões; em 1985, em cerca de US$ 40 bilhões. Dessa forma, na década de 1980, a economia japonesa parecia estar no caminho de se tornar a principal economia global. Com esse otimismo, o mercado imobiliário e o mercado acionário tiveram grande expansão: investidores estrangeiros buscavam investir cada vez mais na economia japonesa. Os bancos do país passaram a ser os maiores do mundo, ao passo que as empresas automobilísticas, como a Toyota, eram vistas como modelos a serem seguidos globalmente. Em 1985, os EUA pressionaram o Japão a fortalecer o iene, sua moeda local, em relação ao dólar, o que fez o Banco do Japão tomar uma medida expansionista. Esta reduziu as taxas de juros do país e tornou ainda mais fácil investir, impulsionando os mercados imobiliário e acionário. Com isso, os preços dos ativos cresceram tanto no Japão que o Palácio Imperial, uma área de 3,4 km² no centro de Tóquio, valia mais que todos os imóveis da Califórnia. O valor imobiliário japonês total era quatro vezes superior ao dos Estados Unidos. As empresas japonesas, que tinham o costume de se financiar apenas por meio de bancos, já estavam recorrendo ao mercado acionário, pois as instituições financeiras não suportavam tamanho crescimento. Aos bancos, essa mudança acarretou perder seus maiores clientes e recorrer a novos locais para investir seu dinheiro, o que tornou esse investimento concentrado em credores duvidosos. O excesso de crédito direcionado a investimentos de baixa qualidade contribuiu para a bolha econômica do Japão, a qual estava cada vez maior: o mercado acionário japonês correspondia a cerca de 42% de toda a capitalização mundial. Investidores passaram a perceber que os preços não condiziam com a realidade. Essa bolha uma hora ou outra teria de explodir, o que ocorreu em 1989. Quando a bolha estourou, observou-se uma queda dos 39 mil pontos do mercado acionário japonês em 1989 para 14 mil pontos em 1992. Até hoje, o mercado japonês não recuperou seu pico de 1989, marcado pela euforia. Desde 1990, o PIB japonês está estagnado. Por exemplo, o PIB do país em 1994 era de US$ 4,9 trilhões, o mesmo observado em 2020. Portanto, o Japão não teve nenhum crescimento em seu PIB em 25 anos. Para piorar a situação, as medidas expansionistas tomadas por seu banco central para reverter a recessão não tiveram efeito. Quando o Banco do Japão injetou dinheiro na economia, os japoneses não consumiram, mas pouparam. Isso tornou os estímulos ineficientes e apenas aumentou a dívida do país. Para nós, investidores, a maior lição a se tirar dessa grande crise japonesa é nunca esquecer o valor das ações que compramos. De tempos em tempos, no mercado acionário, investidores são marcados pela euforia e esquecem as empresas por trás das ações, comprando apenas narrativas de um crescimento eterno. Uma hora ou outra, o preço converge para o valor. Se você comprar ativos supervalorizados, esse resultado nunca será bom. Por isso, sempre busque comprar ativos cujo preço seja menor que seu valor intrínseco.

Como Escolher o Carro Ideal Para o Seu Bolso?

Como Escolher o Carro Ideal Para o Seu Bolso?

Comprar um carro nem sempre é uma tarefa fácil, pois hoje temos inúmeras marcas e opções, e quando entramos em uma loja e vemos novos modelos com aquele cheirinho de novo, a emoção passa a nos dominar, e nesse hora surge o nosso maior inimigo, o impulso! Muitas pessoas compram um carro sem pensar nos custos reais que esse carro terá sobre as finanças, pensamos apenas naquele momento e na nossa realização ao adquirir um bem. Antigamente, o carro era considerado um investimento, porém hoje é apenas um custo, que em muitas vezes é necessário principalmente em um país que não nos fornece transportes de qualidade. Bom, vamos direto ao ponto. Nesse artigo colocaremos algumas dicas para que o seu carro não se transforme no vilão do seu orçamento mensal. 1) Quanto você pode gastar por mês Verifique em seu planejamento mensal, o quanto você poderá assumir de custos provenientes de um carro. Um boa dica seria comprometer no máximo, de 15% a 20% do seu orçamento mensal com os custos com o carro. 2) Fuja dos financiamentos Os carros são patrimônios que sofrem altos efeitos da depreciação, ou seja, perdem aproximadamente 10% de seu valor por ano. Quando assumimos um financiamento, estaremos pagando os juros sobre o valor do carro na data da compra, ou seja, se o carro está depreciando e o nosso financiamento é calculado sobre o preço de compra do veículo, chegaremos num ponto em que o valor pago no financiamento será maior do que o valor de mercado do carro. Fizemos abaixo uma simulação que demonstra o efeito dos juros frente à depreciação exercida sobre o carro. Nessa simulação, utilizamos um veículo de R$ 30.000, financiado à uma taxa de 2% ao mês por 36 meses, e o seu veículo sofrerá uma depreciação mensal de 0,84% aproximadamente. Observe o resultado: No final do financiamento, o seu veículo terá um valor de venda de R$ 22.383, frente a um valor pago de R$ 42.371, ou seja, com os efeitos dos juros e da depreciação, ao final dos 36 meses você terá um veículo com aproximadamente metade do valor pago. Outra simulação que podemos fazer é a de vender o nosso carro, e quitar o financiamento e ver quanto ficaríamos em mãos para a compra de um novo carro, por exemplo. Para isso decidimos efetuar o pagamento das nossas parcelas restantes a partir do mês 28. No mês 28 de nosso financiamento, o valor depreciado do carro é de aproximadamente R$ 23.933, e faltam 9 parcelas para finalizar o financiamento. Trazendo as 9 parcelas a valor presente no mês 28, temos que pagar R$ 9.799, ou seja, ficaremos em mãos após a quitação do carro com R$ 14.134 (R$ 23.933 – R$ 9.799). Se o financiamento for inevitável, tente financiar o seu veículo pelo menor prazo possível, e dando a maior entrada que puder. Os juros sobre veículos são altos, ou seja, dificilmente o mercado financeiro terá um retorno maior do que os juros mensais do financiamento de um veículo, então compensa mais quitar o carro o mais rápido possível do que deixar o dinheiro rendendo a uma taxa menor do que a financiada, pois você estará perdendo dinheiro. Por isso que aconselhamos a se planejar demais para comprar um bem. 3) Se planeje! Se você quer adquirir um carro, o ideal seria pagar o mesmo à vista. Mas para que isso seja possível monte um plano de ação para ver o quanto você precisaria guardar e aplicar por mês para que num futuro próximo você possa comprar seu carro. Temos que deixar as emoções de lado e agir com a cabeça sempre, portanto tenha paciência e acumule uma reserva que possa auxilia-lo na realização dessa aquisição. 4) Não se esqueça que os carros possuem diversos custos Durante a nossa trajetória, vimos diversos amigos adquirindo carros, e não conseguindo arcar com todos os seus custos. Temos que ter em mente que os custos do carro não se resumem a parcelas e gasolina apenas, mas a diversos outros, que devem ser considerados no momento da compra para que o seu orçamento não sofra. O carro ideal é o que cabe no bolso! Alguns custos que devemos considerar: Financiamento (se for inevitável) Seguro (Aproximadamente 5% do valor do carro) IPVA (Aproximadamente 4% do valor do carro) DPVAT (Seguro Obrigatório) Combustível Estacionamento Manutenção Depreciação (Aproximadamente 10% do valor do carro por ano. Esse valor deve ser considerado como “despesa”, pois você precisará dessa quantia na aquisição de um veículo 0Km idêntico) Despesas Extras (Lavagens e etc...) Para que possamos entender melhor o efeito dos custos sobre a renda, simulamos a compra de um carro por uma pessoa que ganha R$ 5.000, e adquiriu um carro de R$ 30.000 financiado (seguindo os parâmetros de juros e prazo do exemplo dado no item 1). Veremos se esse carro, nessas condições cabe no bolso dessa pessoa. Na simulação acima, vemos que os custos mensais do carro estão muito pesados para a renda dessa pessoa, ou seja, o ideal seria escolher um novo carro, ou dar uma entrada maior para diminuir a parcela, ou preparar o orçamento mensal inteiro para arcar com uma responsabilidade de 48,2% sobre ele, o que é muito pesado. O ideal é que se comprometa no máximo 20% do orçamento mensal, conforme falamos no item 1.